terça-feira, 24 de julho de 2012

1ª Corrida de Inverno dos Perebas

Depois da maratona, tirei vários dias de folga. Seis para ser mais exato. No quarto dia já estava bem das dores da maratona, mas uma virose me derrubou de forma espetacular. Foram dias difíceis. Pensei em participar da Corrida e Caminha Pela Cura, nos Ingleses, domingo de manhã (15/07), mas não sabia em que condições estaria e não havia como fazer inscrição na hora. Fui lá só para olhar. E percebi que tinha condições de correr. Bom sinal para participar da corrida do Analto, no Abraão, à tarde.

Inscrição na hora, por 10 reais, foi suficiente para me convencer, apesar do frio que fazia no domingo. Não seria tão frio se não tivesse o vento, muito vento. Tempo propício para não correr e ficar em casa, mas eu precisava correr. O percurso das corridas do Analto não muda e eu já sabia dos morros que me aguardavam. Meu objetivo era terminar a prova sem morrer muito, já que estava parado há seis dias e vindo de uma virose.

Tantos dias sem correr me fizeram esquecer até de olhar se o Garmin tinha bateria. Logo depois do terceiro quilômetro fiquei sem bateria. Fui perceber depois, lá pelo quarto quilômetro. Fiquei sem saber meu tempo, meu ritmo. Nada. Foi no escuro. Ou no claro e no vento da tarde de domingo. O que eu sei é que comecei bem, mas não rendi nada após o retorno. Ainda tinha alguns morros para encarar. Sofri, com certeza. No entanto, não caminhei em momento algum.

Tentei acelerar no final, mas a descida bem inclinada que leva até a chegada não me animou. Não era dia de sprint. Seria muito esforço desnecessário. Concluí com calma. No achômetro, consultando um corredor que chegou na minha frente, tentei calcular meu tempo aproximado. Adiciona 20, multiplica 54, divide por 5,77 e acho que fiz o tempo de 29:40, 1:19 a mais do que meu recorde. Tudo bem. Na próxima eu vou com força máxima.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Maratona do Rio de Janeiro

(O texto a seguir é extenso. Aqui vai um resumo, caso você não queira ler tudo: cheguei ao Rio de Janeiro sexta à tarde/noite. Passeei o sábado todo, das 9 às 18 horas, conhecendo alguns pontos turísticos do Rio.Ccaminhei muito, chegou a doer a sola do pé. Ideal para quem ia correr uma maratona no dia seguinte. Acordei bem cedo no domingo e fui para a largada. Fui bem até o km 26. Do km 27 ao 31 passei os piores momentos, quando me deparei com a pior subida do percurso. Depois, consegui correr em um ritmo bom, alternando com alguns momentos de caminhada para tomar água. Terminei a maratona em 4:16:13 no tempo oficial. Fiquei bastante satisfeito. Fim de resumo. O texto completo está logo abaixo.)

Decidi que 2012 seria o ano das maratonas. Ou da maratona, desde que fosse bem feita. A primeira, demorando quase 5 horas, sem treinar tanto, ainda me incomodava. Eu precisava correr uma maratona mais dignamente e terminar bem. Melhorar o tempo era consequência e quase uma certeza, já que fazer de novo aquele tempo era muito improvável. Já no fim de 2011 escolhi a Maratona do Rio de Janeiro. As inscrições abriram e logo me inscrevi. Janeiro mal tinha começado e eu já sabia que 8 de julho seria o dia da minha segunda maratona. Só tinha que treinar e treinar.

Janeiro começou devagar, algumas dores apareceram, parecia que não ia dar certo. Fevereiro não foi tão bom, mas a partir de março tudo começou a melhorar. Evolução nítida. Acho que o sofrimento dos dois primeiros meses foi necessário para o treinamento deslanchar. Ou não. Talvez eu tenha feito alguma coisa errada e só fui consertar no terceiro mês do ano. Não sei. O importante é que deu certo. Por linhas meio tortas, mas deu. Incluí na preparação 3 meias maratonas. Em cada uma delas fiz meu recorde pessoal. Além disso, comecei a correr com pace abaixo de 5:00 min/km.

Essa mudança de ritmo nas provas se deu no fim de abril. Um presente de aniversário atrasado, possivelmente. Desde esse momento até a Maratona do Rio, só duas meias e a maratona tiveram pace acime de 5 minutos. Bati meus recordes em todas as distâncias possíveis em que houve corrida. 5, 10, 12, 7, 8, 9, tudo, cada corrida era um recorde novo e a sensação de que estava no caminho certo. Não parecia a preparação ideal, mas estava funcionando. Foram 19 corridas no ano até chegar na Maratona do Rio. E vários treinos longos. Muito mais do que eu havia feito em 2011 antes da Maratona de SC.

O dia se aproximava cada vez mais. Sexta-feira chegou, faltavam dois dias. Viajei para o Rio. De avião. Com conexão, que rima com promoção. Cheguei no Rio. Sexta foi de pizza e descanso. Sábado, um passeio durante todo o dia, andando muito. A sola do pé doeu e a tira do chinelo fez machucados nos meus dois pés. Era uma situação bem interessante para quem correria 42 km no dia seguinte. Dizem que você deve descansar no dia anterior à prova e se alimentar bem. Meio sem querer querendo, fiz o oposto.

Domingo, acordo às 4 da manhã. Alimentação é feita no quarto mesmo, com a comida comprada no dia anterior no mercado. Descendo, descobri que tinha café antes das 6 da manhã, diferentemente do que o cara da recepção havia me informado. Poderia ter comido mais tranquilo e melhor. Saímos, eu o Marcelo, 5 horas rumo ao ônibus da organização que nos levaria para a largada. Conhecedores das distâncias da cidade (não), estávamos na dúvida se iríamos a pé ou de táxi até os ônibus.

Não conseguimos nenhum táxi e fomos a pé mesmo. Nem demorou tanto. 20 minutos ou perto disso. Entramos no ônibus. Depois de pouco mais de 1h30', chegamos no local da largada. Tinha bastante trânsito e o relógio marcava 7:15 quando desembarcamos. Só deu tempo de enfrentar a fila do banheiro. A largada se aproximava. Acredito que alguns corredores chegaram já com alguns minutos de prova. A anunciada e esperada chuva veio no domingo, para meu alívio.

Era uma chuva fina, que ia e voltava. Havia ainda um pouco de vento. Nesses momentos de vento e chuva, lembrei de alguns treinos em Floripa. O bom mesmo é que o sol não apareceu. Penso que seria impossível ter um rendimento razoável se no domingo a temperatura fosse igual sábado. Mesmo com os termômetros marcando entre 17 e 20º C, não sentia frio. No Rio de Janeiro, o frio quase não existe. Foi dada a largada e a chuva estava bem fraca. Saímos na direção oposta do percurso para fazer 1,5 km antes de retornar e seguir rumo ao Aterro do Flamengo.

O problema é que essa chuva inconstante gerou poças ao longo de boa parte do percurso. Pode chamar de frescura, mas não ia molhar o tênis logo no primeiro quilômetro da corrida. Ainda teria mais 41 e vai correr de tênis molhado para ver que agradável. Meu objetivo não era ganhar a prova, era só terminar bem, não tinha motivos para correr feito um louco e passar em todas as poças de água do caminho. Muita gente não se importava com a água. Nem com os outros em volta. Fui desviando e tentando não atrapalhar quem vinha atrás.

Como foi anunciado neste blog, corri com os alertas do Garmin desligados. Saí em um ritmo que não sabia qual era e continuei correndo sem informação. A única noção do tempo que eu tinha no começo era do relógio que a organização da prova disponibilizava a cada 5 km. Olhei o relógio da prova o tempo do meu Garmin e calculei meio por cima e dava uns 2 minutos de diferença. A parte boa de correr sem os alertas é que eu olhava aleatoriamente para o relógio e não tinha muita noção do tempo que eu iria fazer. Não estava a fim de fazer contas no meio da maratona.

Comecei a prova muito bem, com o ritmo variando entre 5:30 e 5:51 até o 22º km. A única exceção foi um 5:57 no 10º km, quando tive que ir no mato esvaziar a bexiga. Voltei muito mais leve e perdi, no máximo, 30 segundos, acho que nem isso. No 23º km, passei pelo primeiro túnel e o Garmin ficou doido. Perdeu o sinal do satélite. Achei o túnel meio abafado e até senti que diminuí o ritmo, mas não a ponto de marcar 8:19. Lembro muito bem que tentei acompanhar um corredora e consegui. Esses 8:19 são muito mentirosos. Enfim, pouco importa para o tempo final.

Eu nunca tinha ido ao Rio de Janeiro, não conhecia nada da cidade e do percurso. Sabia de duas pequenas subidas pelas informações do site da prova. Não sei se vocês conhecem (deveriam), mas saibam que a parte entre a largada, no Recreio dos Bandeirantes, e onde começa a meia, na Barra da Tijuca, é a mais monótona da maratona. Parece que a gente tá sempre correndo no mesmo lugar. Não muda. É muito bonito, sem dúvida, mas até chegar no primeiro túnel, que nos levaria até São Conrado, demora.

Tentei manter o ritmo como estava, só na sensação de esforço, mas só consegui fazer isso até o km 26. A partir do km 27 começava a subida da Niemeyer e eu senti o cansaço. Talvez tenha sido um erro, mas me peguei olhando para o Garmin várias vezes e via que o ritmo de momento oscilava entre 6:30 e 7:00. Desanimou. Foi um erro, certamente, mas na hora não deu para evitar. A paisagem era bonita, mas fiquei tentado a olhar para o relógio e não resisti. O ritmo caiu, mas continuei correndo. Lerdo, devagar, mas sem parar.

A certeza já não é tanta, mas acho que foi pelo km 29 que eu vi o posto de distribuição de Gatorade e não hesitei: peguei dois saquinhos e comecei a caminhar, pela primeira vez na corrida, até tomar ambos. O mais legal é que o pace não passou de 7 minutos. Quando decidi correr de novo, veio a descida que havia de ter depois de subir. É muito pior descer do que subir, ainda mais depois de 29 km. Quando estava entrando no Leblon, passei pela placa dos 30 km, mas o relógio da organização estava fora do ar, talvez por causa da chuva.

Precisei olhar para o Garmin para conferir como estava o tempo depois daquela subida e aqueles paces na estratosfera. Deu pouco mais de 3 horas e o sub 4 horas já era bem impossível, mas fazer sub 4h12' era viável, mas precisaria manter o ritmo, o que já não era tão fácil. Entrei no Leblon e veio um vento contra, daqueles de fazer lembrar a Beira Mar nos piores dias. Um pouco à frente, mais por desencargo psicológico, aproveitei um banheiro químico e esvaziei a bexiga nem tão cheia pela segunda vez. Fato é que fiquei mais leve para correr os últimos 11 km.

Os quilômetros 32 a 34 foram acima de 6, mas no momento da prova parecia bem mais alto. Passei por Leblon e cheguei ao fim de Ipanema. 34 km tinham ficado para trás. Faltavam apenas 8 km. Quase nada. Quase muito. Começou a chover de novo e eu olhei para o Garmin, vi aquele pace acima de 6 minutos e me indignei com a minha lerdeza. Não podia estar tão devagar assim. Treinei pra terminar bem e não sofrer. Agora faltava muito pouco. Decidi acelerar mais e buscar os paces abaixo de 6 minutos, para me sentir bem comigo.

Claro que depois de 34 km, você faz o maior esforço do mundo, acha que está a 5:20 e está a 5:40, mas o que importa é que fiz 5:40 (35º km), 5:44 (36º km) e 5:40 (37º km). Esqueci de mencionar que lá no km 35, entrada de Copacabana, havia bergamotas (mexiricas) e bananas à disposição. Nada peguei, já que não consigo comer enquanto corro, mas achei legal essa iniciativa. Voltando ao final, no km 38 apareceu um posto de água e, satisfeito com os 3 quilômetros anteriores, peguei dois copinhos e andei até fazer uso deles.

No km 39, voltei a acelerar. Um corredor desconhecido me viu e disse "vamos Loucos por Corridas, falta pouco. Começasse a correr agora? Nem tá suado.". Só consegui dizer "vamos". Ele ainda completou "vamos, me puxa, vamos". Extenuado e cansado, tentei. Fiz o km 39 na companhia desse corredor em 5:38, mas olhei o pace e estava a 5:15/5:20 em alguns instantes. Era insano demais depois de tantos quilômetros. Ele não me deixava desacelerar e eu já não queria aguentar mais aquele ritmo. Estava torcendo por um posto de água.

Não foi um posto de água. Foi um de Gatorade, mas servia igual. Aproveitei que ele incentivava todo mundo e deu atenção a outros corredores, fui para o lado, peguei dois saquinhos e andei até tomar o isotônico. Era o último descanso. Vocês podem pensar que essas duas paradas para caminhar no fim foram de preguiça e tal. Pode até ser. Não nego que dava um refresco, mas meus dedos do pé esquerdo estavam doendo muito. Eles nem se flexionavam mais. Essas caminhadas aliviavam a dor e me fazia correr melhor por mais alguns minutos.

A dor diminuía e eu contivuava. Decidi, no entanto, não parar mais a partir daquela parada no km 40. E assim fiz. Acelerando de novo, 5:57 no 41º km e 5:36 no 42º km. Os dedos até começaram a incomodar, mas ali eles já não iam mais me atrapalhar a ponto de andar. É aquela coisa: no final da prova, as dores vão sumindo. Depois da linha de chegada elas voltam duas vezes mais forte, mas não tem problema. Ver a placa de 41 e 42 km me animou muito. Os últimos metros pelo Aterro do Flamengo foram só de felicidade.

O número de pessoas em volta aumentava a cada metro percorrido. Começava a ver as tendas das dezenas de assessorias. Mais um pouco e via as grades que levavam até a chegada. Nesses metros finais nem me importei com nada. Tentei fazer meu único pace abaixo de 5 minutos na prova. Foram poucos metros, mas corri a 4:52 e cheguei bem e inteiro, na medida do possível. Parei o Garmin e estava lá: 4:16:21. Era o tempo que eu queria? Não. Eu estava preocupado com isso? Nem um pouco. Foi a prova que deu para fazer, sem muitas pretensões, em um local totalmente novo.

Mais tarde, descobri que o tempo líquido da prova foi de 4:16:13 e o bruto de 4:19:01. A classifição até saiu, mas devido à chuva parece que alguns chips tiveram problemas e ainda não sei direito como fiquei. Na verdade, pouco importa. É meramente estatístico. O que importa mesmo é que eu completei minha segunda maratona. Melhorei o tempo em 38 minutos, embora a primeira maratona tenha sido de supetão e meio sem preparo (não recomendo). Esse de agora fui mais preparado, mas ainda dava para ter feito mais treinos.

No fim de tudo, os treinos que foram realizados serviram para que eu chegasse ao fim da maratona só com as dores normais da prova. Nada além. O problema maior do pós-prova foi que as pernas assaram (acho que por causa da chuva e do shorts molhado). Fora isso, só dores na coxa, que começaram de forma mais intensa na segunda e só foram completamente embora na quinta. Ainda tenho o objetivo de fazer uma maratona sub 4 horas, mas já aprendi que nem sempre vai dar certo. É um pouco mais complicado do que 21 km. Um dia vai sair.

Por enquanto, me contento em completar bem a prova. Vamos ver se em Blumenau, dia 12 de agosto, o tempo melhora. Admiro esse pessoal que consegue correr abaixo de 4 horas. Fazer 3h30' ou menos, é um negócio muito impensável. Imagina correr 42 km com pace de 5:00 min/km? Consigo esse pace em uma meia maratona, com bastante esforço. Esse foi o relato mais longo de todos os tempos. Se você chegou até aqui, muito obrigado. Haja paciência, vontade e tempo para ler tantos parágrafos. Voltaremos.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Rio é logo ali


Quando este texto for publicado, provavelmente estarei voando em direção ao Rio de Janeiro. Ou estarei esperando pela no aeroporto em São Paulo. Nos dois casos, o destino final é o Rio. Lá participarei da segunda maratona da minha vida. Todos os treinos foram feitos e agora é só esperar chegar a hora da largada. Não consigo não ficar ansioso. Desde quarta-feira estou pensando na corrida, no trajeto, nos 42 km, em tudo.


Depois da maratona, escreverei por aqui a respeito da prova. Espero que tudo saia como programado. O principal é correr e se divertir. Se o tempo for bom, que seja, mas não é a prioridade. Vou ao Rio de Janeiro para curtir e aproveitar. Serão três dias na cidade maravihosa. A maratona e o Fla-Flu no domingo estão garantido. O resto é surpresa, não sei onde vou nem o que vou fazer. Contarei tudo, na medida do possível, na volta.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um dia de treino


Corrida no sábado e treino no domingo. Treino com o pessoal do Loucos por Corridas. Treino longo, previamente marcado pelo Facebook. O local de encontro seria a Beira Mar Continental, no Estreito, Florianópolis (localizando para caso alguém lendo esse texto seja de fora). Como não moro tão longe da Beira Mar (pouco mais de 8 km), decidi ir correndo para lá, enfrentando as subidas que tem no caminho e mantendo um ritmo constante.
 

Da Beira Mar, partimos todos juntos, mas com objetivos diferentes. Fiz 5 km e voltei. Fechei em 10 km. Faltava ainda voltar para casa correndo. Voltei, sob o sol do meio-dia. Primeiro dia do mês de julho e calor de janeiro. Foi sofrido, mas enfrentei as subidas da volta e fiz um ritmo bom. Fechei o domingo com 26,20 km. Gostei muito da quilometragem do fim de semana. Somando com os quase 7 km do dia anterior, corri 32,92 km.
 

Posso dizer que foi um treino excelente, com ótimas companhias. Diversão em forma de treino, correndo. Não podia ser melhor. Fiz um longão intervalado, que acabou sendo o meu último treino mais pesado antes da maratona. No meu planejamento, não pretendia fazer mais um treino longo, mas surgiu a oportunidade e não me arrependo. Corri, cansei, suei, me diverti e valeu muito a pena. Treinos em grupo podem ser tão bons quanto treinos solitários.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Corrida Aniversário de Santo Amaro da Imperatriz

Muitos e muitos treinos porque a Maratona do Rio está cada vez mais perto. Decidi meio em cima da hora participar dessa corrida em Santo Amaro. Por em cima da hora quero dizer quarta-feira, sendo a corrida no sábado. Estava com vontade de participar de uma derradeira corrida antes da maratona. Queria tentar correr rápido e forte na medida do possível e dessa vez iria com os alertas do Garmin desligados, já pensando na maratona. Em um parágrafo, a palavra maratona apareceu quatro vezes. Percebam como ela não tem importância nenhuma para mim.

Por essas loucuras do tempo, acho que não teremos mais inverno. Sol de verão para uma corrida às 15 horas. Estivesse fazendo o frio correto para a época, o horário da largada seria razoável. A largada atrasou um pouco porque sempre atrasa e nada podemos fazer. Foi até bom. O percurso era de anunciados 7 km. Várias subidas, a pior delas no começo, as outras nem tanto, mas que minam a resistência. Fui morrendo aos poucos, com a ajuda do sol e do calor. Continuei e não olhei para o Garmin. Ele não apitou e eu fingi que ele não estava ali. Simbiose perfeita.

Exceto por um 4:27 sem sentido no 2º km, mantive uma média legal abaixo de 5:00 min/km. Só no 6º km fiquei acima desse pace (5:11). Era aquele período de falta pouco, mas ainda não acabou, já meio sem vontade, esperando pelo fim. Continuei. Estimando e projetando, terminei os 7 km em 34:06, dentro do que eu esperava. Queria correr em menos de 35 minutos mas sem cansar muito. No dia seguinte tinha treino e precisava estar inteiro. Se for para ficar cansado e com dores, que seja no Rio de Janeiro. Fiquei satisfeito com o tempo e insatisfeito com a organização da prova.

Cheguei tão morto e cansado que nem me dei conta que não havia recebido a medalha. Avisaram depois da corrida que houve um erro (é óbvio que houve um erro) e que a medalha seria entregue na próxima corrida organizada pela associação. Corrige o erro, mas não é a mesma coisa do que receber a medalha depois da prova. Paguei 30 reais e não recebi medalha. Não pode. Feita essa crítica PERTINENTE, deixei a nota relevante do dia por último: corri com uma camisa do Grêmio. Nada mais importa.

terça-feira, 26 de junho de 2012

42 km à vista

Já estou aceitando o resultado da última meia. Não foi o que eu queria, mas foi o que deu para fazer. Buscando na minha tabela de Excel de registro de tempos, encontrei casos de quase recordes em outras distâncias, que foram igualmente decepcionantes tais qual a Meia de Floripa. Uma vez, faltaram 17 segundos para fazer o sub 25 nos 5 km. Em outra, faltaram 55 segundos para o sub 50 nos 10 km. Pouco depois, bati os recordes dessas distâncias bem batidos, com minutos sobrando. Então acho que pode acontecer a mesma coisa com os 21 km. Tomara. Espero que sim. Tem a Meia Maratona de Gaspar e Pomerode ainda este ano para tentar o sub 1h45'.

Participei de 18 provas este ano, mas nada é tão importante quanto a Maratona do Rio de Janeiro, dia 8 de julho. Fiz 3 meias este ano, com o objetivo de me preparar para a maratona. A Meia de Floripa foi a última das meias e era onde eu queria ser sub 1h45'. Não deu, mas serviu como treino longo. Aliás, além das 3 meias, fiz outros 6 treinos longos até agora. Entenda-se como longos treinos acima de 21 km. Dessa vez, estou me preparando para sofrer com mais dignidade em uma maratona. Tem tudo para dar certo. Ainda pretendo fazer um último longão. Aí é só esperar o dia da corrida chegar. Provavelmente, escreverei de novo a respeito da maratona antes de viajar.

O principal objetivo na Maratona do Rio vai ser terminar bem, somente com o desgaste e dores naturais. Correr o tempo todo durante os 42,195 metros é um desejo. Objetivo de tempo até tenho. São três, dependendo do que acontecer. Terminar a maratona abaixo de 4 horas (um sonho); se não der, terminar com um pace abaixo de 6:00 min/km, ou seja, sub 4h12'; se nem isso eu conseguir, só completar e comemorar mais uma maratona. Tenho esses objetivos, mas vou correr sem preocupação com o tempo. Tanto é que vou desligar os alertas do Garmin. Correrei só na sensação de esforço e cansaço, torcendo para que no fim veja um tempo surpreendentemente positivo no relógio da prova.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Meia Maratona de Floripa

É possível fazer seu recorde pessoal e a prova ser um fracasso? Respondo: sim, é possível. Aconteceu comigo na Meia de Floripa. O objetivo era correr abaixo de 1:45:00. Sinceramente, achei que seria mais tranquilo do que se mostrou durante a corrida. O recorde perfeito que eu queria não veio. Fiz 1:46:39, muito insatisfeito. Melhorar o tempo é sempre bom, mas, nesse caso, ficou em segundo plano devido ao objetivo não alcançado.

O pior de tudo é que eu cheguei completamente morto e exausto. Todo dolorido. Só depois da Maratona de Santa Catarina senti tantas dores nas pernas. Não é aquela dor de lesão, é só cansaço. Normal até, mas fazia tempo que não terminava uma corrida assim. Percebi aí que correr 21 km forte não é fácil. Nos treinos longos para a maratona, passo os 21 km bem tranquilo, sem cansaço, mas com o tempo acima de 1:50:00. Eis a diferença, certamente.

Pensei o que fiz de errado nos 21 km para não conseguir o tempo. Não é nem desculpa. Pode até ser, mas não é. Fui no limite do que dava. Sprint final? Esquece. Olhei para o Garmin e vi que o 1:45:00 tinha ficado para trás. Nem tentei correr mais rápido. Pensei nas próximas meias. Sabia que iria fazer um novo recorde, quase 3 minutos a menos. Então nem forcei. Os segundos não importavam mais, tanto fazia terminar com 36 ou 20. Dava na mesma.

O principal erro, na minha avaliação, foi sair forte demais. Mais forte do que eu pretendia. O ritmo a ser mantido era entre 4:50 e 4:59. Na empolgação da largada, fiz o que não se deve fazer. 1º km a 4:34 e 2º km a 4:39. Já tinha 47 segundos abaixo do pretendido. Meu plano era chegar no 21º km entre 1'30'' a 2'00'' abaixo do pace de 5:00. Assim teria tempo para completar os metros finais do percurso com bastante folga.

Meu corpo sentiu que estava errado. As pernas ligaram o sinal de alerta. O que aconteceu? Minha canela começou a doer. Sabia que a dor era por causa do ritmo forte. Já me aconteceu outras vezes. Quando saio muito rápido, ela reclama. O ideal é aumentar o ritmo gradativamente, aquecer antes, durante a corrida mesmo. Não foi o que eu fiz. Logo, dor. Assim foi até o 5º km. Depois, entramos na Beira Mar e o ritmo raramente ficou abaixo os 5:00 min/km.

Ali eu sabia que as pernas não iam aguentar, já estavam cansadas. A dor na canela passou, mas, enquanto durou, tirou mais um pouco das energias. Controlava mentalmente quantos segundos estava abaixo dos 5:00. Piorava a cada quilômetro. Na volta do percurso, talvez por encontrar vários conhecidos do outro lado, o ritmo aumentou. Nada de expecional, mas melhorou. Continuava controlando o pace e vendo que estava cada vez mais difícil.

Lá pelo km 14, 15, senti que não sentiria por muito mais tempo as pernas. O cansaço estava se manifestando mais acentuadamente. A vontade de parar existia, mas era incogitável. Parar seria um fracasso maior do que não fazer o 1:45:00. A cada quilômetro, o pace aumentava mais alguns segundos. Ainda tinha uma mínima esperança. Quando chegou a vez de voltar pela ponte, a esperança não foi comigo. Ficou antes, pelo caminho.

A subida da ponte foi para matar. Depois de 17 km, ainda tinha uma subida que não terminava nunca. Ali foi o ponto final do sonho. Faltavam 3 km e minhas pernas não se importariam em parar. Estava tudo muito ruim. Eram só 3 km. Tinha que ir do jeito que dava. Tentei me animar, mas não dava mais. Até o sprint final, como falei mais para cima, ficou de lado. Estava só esperando o portal de chegada. Em ritmo moderado, terminei a prova.

Passou só o tempo de chegar a tirar o chip e pegar a medalha para eu ter a noção real da situação. Estava doendo todo e qualquer lugar das pernas, principalmente as coxas. A dor passou o domingo e a segunda-feira comigo. Está diminuindo lentamente. Senti-me como um time que joga em casa, estádio lotado, todas as condições de obter um ótimo resultado e leva dois gols nos últimos minutos. Essa foi minha participação na Meia de Floripa.

Não foi ruim, mas não foi bom também. Esperava fazer um texto em tom mais entusiasmado. Ainda não dá. Nem o recorde pessoal me animou. Rever estratégias e treinar mais. Não há outra opção. Acho que é a primeira vez que não fico tão contente com um recorde pessoal. A organização da prova foi perfeita. Não faltou nada. Só me faltaram pernas. Continuarei em busca do sub 1:45:00. Espero conseguir em uma próxima meia maratona.

sábado, 16 de junho de 2012

Here I go again

Quase um ano atrás, a Meia de Floripa foi minha primeira meia maratona da vida. Agora, será a oitava. Nesse tempo, tudo mudou pra melhor. Meu conhecimento acerca do que envolve correr aumentou. Mais preparado, mais treinando, mais rápido. Em 2011, o objetivo era só terminar. Foi sofrido, sem muito treino, mas completei com pace abaixo de 6:00 min/km, conforme planejado. Corri em 2:01:15 e não consigo esquecer esse tempo. Ficou marcado. A primeira meia foi boa demais.

Continuei correndo. E correndo. E foram mais 6 meias. Este ano, até julho, só duas provas realmente importam: a Meia de Floripa e a Maratona do Rio. As outras 17 provas que participei até agora podem ter sido legais e muito boas, mas não se comparam. Este ano, corri duas meias e melhorei o tempo. 1:54:02 em março e 1:49:16 em maio, já pensando na Meia de Floripa. Se em 2011, queria correr abaixo de 6:00 min/km, em 2012 tem que ser menos de 5:00 min/km. Qualquer coisa que não seja menos de 1:45:00 será um fracasso.

Tenho condições, sei que consigo, mas sempre fico com um pouco de dúvida antes da corrida começar. Na Track & Field foi assim. No fim, o recorde veio, mas até chegar na hora de correr muitos pensamentos me atormentaram. Está tudo certo, mas nunca se sabe o que vai acontecer durante a prova. Essas corridas em que me obrigo a melhorar o tempo me deixam mais ansioso do que o normal. Meia de Floripa, lá vou eu de novo. Em busca do recorde perfeito para o momento. Nada mais importa. Domingo (17/06) é o dia.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Circuito SESC - Tijucas

Com mais essa corrida, fechei 12 fins de semana participando de provas. Desde 18 de março sem parar. Todo fim de semana, se tem corrida, eu vou. Dessa vez, nada de prova por Florianópolis ou São José. Então me mandei para Tijucas, na corrida que abriria o Circuito SESC de Caminhadas e Corridas. A inscrição seria de 10 reais, mas no fim ficou em 3 reais. Preço totalmente excelente e impossível não participar.

Anunciaram que teria percurso de 5 e 10 km. A quadra que eles usaram não concordou muito. Cada volta deu quase 2,25 km. No fim, nem 9 km no que deveria ter 10 km. Pelo menos, quase fechou redondo. Terminei esses 9 km em 44:36. O tempo não foi dos melhores da minha vida, mas era só o que dava para fazer. Antes dessa prova, foram 7 dias seguidos correndo, incluindo um longão de 3 horas na sexta-feira. As pernas reclamaram um pouco.

Fosse para correr em um ritmo devagar, como tem sido nos treinos e nos longos, até acredito que seria tranquilo. Decidi, no entanto, que nas provas tentaria um ritmo mais forte, pra me testar. O objetivo em Tijucas era fazer um pace abaixo de 5:00 min/km. Desde o início percebi que não ia ser muito fácil. O 1º km em 4:36 já me mostrou que era impossível manter esse padrão. A parte de dar 4 voltas na quadra também ajudou a desmotivar.

Somam-se os dias anteriores de treino, a monotonia do percurso, o piso de lajota e estrada de chão e temos o resultado dito anteriormente: fiz o que dava pra fazer. O 2º km ainda ficou em 4:47. Depois, do 3º ao 8º km, a briga foi para manter os 5:00. Missão árdua, mas cumprida. Tentei acelerar no último quilômetro e consegui um 4:57. Era mais do que suficiente. Valeu como treino, valeu como a 17ª corrida do ano concluída.

Mesmo sendo em um lugar de Tijucas que nem o Google Maps sabia onde ficava, achei que teria mais participantes. Talvez a chuva da manhã tenha espantado as pessoas que não gostam de se molhar. Mal sabiam elas que a chuva iria parar e a corrida seria com tempo seco, com o sol saindo timidamente em alguns momentos. Perderam uma prova barata, longe de tudo e bem organizada.

sábado, 2 de junho de 2012

Mais do mesmo

2011 e 2012 foram anos bem interessantes na minha vida de corredor amador. Entre junho de 2011 e abril de 2012 corri todas as distâncias possíveis que um dia imaginei correr quando comecei. E também participei de de provas que sempre quis. 5 km, 10 km, 21 km, 42 km. Mountain Do, São Silvestre, Volta à Ilha. Provas de 5 e 10 km fiz muito, mas as outras todas começaram depois.

Em termos de distâncias e provas, já está tudo realizado. O que falta agora é acrescentar novas provas, em outros lugares, no currículo. Meias maratonas e maratonas fora de Santa Catarina e outras provas mais famosas. Começarei com a Maratona do Rio. Talvez este ano seja só essa prova, com possível São Silvestre mais uma vez. Só vou decidir depois de julho.

No momento, me sinto como aquela equipe que ganha tudo no futebol. Perguntam qual a motivação pra continuar jogando e ganhando. Eles respondem que é ganhar tudo novamente. Minha resposta é a mesma. Sigo treinando e correndo porque quero fazer tudo outra vez. Mais rápido, se possível. Repetir as melhores provas, talvez as piores, fazer novas provas e correr sempre. Havendo dinheiro e pernas, vou no que aparecer e parecer bom.
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